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PJ Harvey
White Chalk
Universal
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Por Fernando Tucori

"White Chalk" é um disco que parece o último disco que você vai ouvir na vida. Ouvi indo trabalhar, dia após dia, e parecia que todos os dias eram o último dia da minha vida. Parecia que, de qualquer lugar, ia sair um serial-killer enfurecido e me crivar o corpo de balas.

Parecia que, do nada, o telefone ia tocar e seria uma coisa que só eu poderia resolver e ela ia definhar e morrer porque eu não ouvi o telefone tocar, porque o fone de ouvido tava muito alto. É um disco de falhas trágicas

– um a na sequência da outra. É um disco em que ninguém morreu, mas, por via das dúvidas, porque não rezar a missa? O dia está lindo pra isso. É aquele dia claro, mas cheio de nuvem que deixa tudo branco, branco como um sonho em que vai dar tudo errado. Às vezes a gente acha que tudo que é sombrio é negro, só que PJ Harvey faz um disco lindo, sombrio e branco. Não é um disco sujo, nem mau, nem triste. É um disco doente. Muito bom, muito bonito e muito bem tocado. Só que muito doente.  
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