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Entrevista com Fábio Elias do Relespública
Rafael Pompeu trocou uma idéia com o vocalista do Relespública, Fábio Elias. Confira abaixo como foi o bate-papo:
A banda Relespública foi formada em 1989, na cidade de Curitiba, pelo trio Fábio Elias (guitarras e voz), Emanuel Moon (bateria) e Ricardo Bastos (baixo). As influências da banda sempre foram The Who, The Jam e Ira!. Seu segundo disco foi lançado em 2000 pela Universal Music, mas foi no cenário independente que a banda se fortificou e criou raízes.
O quarto e mais recente álbum da banda é resultado do programa “MTV Apresenta” gravado em 2005, lançado em CD e DVD. O show contou com a participação de músicos ligados ao Ira!, entre eles o vocalista Nasi.
A Relespública estendeu sua parceria com o Nasi e, juntos, fizeram diversos shows pelo sul do país.
Atualmente a banda está finalizando seu novo disco de estúdio.
Confira a conversa com Fábio Elias, vocalista do Relespública, sobre a cena de rock ‘n roll no sul do país, a vida na independência, entre outros:

Rafael Pompeu: Qual você julga o momento mais importante da carreira da Relespública?
Fábio Elias: O atual momento, onde estamos preparando disco novo e mais unidos e felizes do que nunca.
RP: Como foi participar do MTV Apresenta? Qual a importância desta participação?
FE: Foi demais poder participar e gravar um show na íntegra com toda a equipe profissional que nos disponibilizaram. Foi o melhor show da nossa vida e serviu pra projetar o nosso nome e nossa música para inúmeras pessoas do país. Muito legal mesmo esse projeto ter acontecido.
RP: Você acredita que dá pra ser independente e se “dar bem”?
FE: Quando começamos não sabíamos o que era esse termo “independente”. As bandas tinham que ser grandes e famosas. E fomos atrás do nosso sonho, do nosso espaço. Mas quando vimos, estávamos no meio dos anos 90 onde todo mundo que era legal e fazia um som bacana, fazia “ás próprias custas records” (como gostamos de brincar). Então sempre trilhamos nosso caminho fazendo nossa música e sendo fiéis a nossa proposta. Tentaram mudar nosso som e visual e não deu certo, quando estivemos na Universal Music. O jeito foi continuar sendo nós mesmos. Acho que nos demos bem, fazendo essa opção. Mas cada um é cada um. Sabemos que para uma música tocar no rádio e na tv, só com uma campanha forte e muito dinheiro investido.
Mas hoje existem outros caminhos e a moçada que se liga em rock prefere escolher as músicas que querem ouvir. Tem o my space que ajuda muito também, enfm, são outros tempos e quem fizer música boa vai se sobressair.
RP: Como é a cena rock no sul do país na sua visão?
FE: É muito legal, mas bem diferente uma das outras. Aqui no Paraná rola um rock’n’roll mais puro, próximo do som feito em SP, o que facilita pra nós, pois não precisamos morar lá, pois estamos muito perto uma cultura da outra. Vamos pra lá divulgar e voltamos pra casa. Mas falta mais reconhecimento do público paranaense e que eles consumam mais a sua própria cultura. 
Em SC rola mais reggae e pop rock, pois tem o litoral mais lindo do sul do país, então tem mais haver esses estilos. No interior tem várias bandas legais também, mas ninguém fica sabendo da existência. É tão difícil quanto aqui no PR.
Já no RS o rock é mais tradicional, onde as bandas são muito boas e fazem um som bem característico também. Por estarem longe de SP, eles acabam se consumindo muito mais que no Paraná e Santa Catarina. O público lá valoriza bem mais as suas bandas. E gaúcho é bairrista, tchê! Isso é importantíssimo e sentimos falta dessa atitude aqui na nossa região.
Mas em geral, o rock aqui é muito legal. Temos inúmeras bandas fazendo trabalhos autorais e mandando ver no Sul.
RP: Que discos você recomenda para ouvir?
FE: Isso é algo bem pessoal. Eu gosto de ouvir os grandes mestres do blues, rythm’n’blues, rock’n’roll, soul etc...
The Beatles, The Who, Stones, Small Faces, Jam, Ray Charles, James Brown, Aretha Franklin, Yardbirds, Cream, Jeff Beck, Roberto e Erasmo, Tim Maia, rock nacional e algumas bandas novas que estão fazendo bonitos trabalhos. Cada um escolhe as suas preferidas!

RP: O melhor show que você já fez foi...
FE: Além da gravação do DVD foi um num barzinho pra 4 pessoas assistindo. Tocamos como se estivéssemos num estádio lotado e quebramos tudo no final. Foi mágico!
RP: Quais instrumentos e equipamentos você utiliza?
FE: Hoje uso guitarras Fender Stratocaster e Rickenbackers ligadas em amplificadores Fender Hot Rod Deville e FM 212. Eu gosto do híbrido válvula x transistor.
RP: Sua banda do coração é...
FE: Relespública. Sou fã desses caras, pois são amigos de verdade e não estão nessa pela grana, apenas. Amam a música que fazem e respeitam os outros colegas de profissão e principalmente os fãs. Estão juntos há quase 20 anos e não estão preocupados com as tendências do mercado e por isso não vendem lixo pras pessoas ouvirem. São muito honestos na sua proposta desde sempre: ROCK’N’ROLL!!!
RP: E o time de futebol?
FE: CAP - Clube Atlético Paranaense.
RP: Fabio Elias, o que mudaria em si mesmo?
FE: Faria uma cirurgia nos olhos pra tirar os pesados óculos... já encheu o saco! hehehe
RP: Sua perspectiva para o rock nacional.
FE: O rock nacional precisa de um novo “boom”. O primeiro foi na época da abertura política. Agora precisamos de um sacode geral nesse país, de uma retomada na vontade do povo agitar e mudar o contexto sócio-político e cultural. Tá todo mundo acomodado e estagnado enquanto somos enganados todos os dias pela corrupção e pelo desmando geral no país. Os ricos cada vez mais poderosos e os pobres se contentando com bolsas-família etc... isso tem que mudar no Brasil e os roqueiros tem o microfone ligado!
E também chega desse oba-oba de bandinhas que só sabem chorar e tocar as mesmas notas, sem conteúdo nas letras. Existem bandas melhores pra mandar o recado diretamente pra essa geração e a quem quiser ouvir. Mas queremos um novo rock, com um discurso formado e com atitude de verdade, não do jeito que está, ou só falando de sexo, drogas e rock’n’roll de novo. Isso aí já era galera! Sexo é bom, mas hoje tá todo mundo cabreiro; drogas são drogas; e rock’n’roll está em falta na prateleira das lojas.
Os grandes medalhões do rock estão velhos e acabados, brigam por dinheiro ou se sustentam do passado.
Precisamos de uma juventude atuante para que o rock brasileiro não fique nessa míngua e na letargia em que está.
Parafraseando Raul Seixas: “Ninguém vence uma guerra sozinho!”
Site oficial Relespública: www.relespublica.com
Rafael Pompeu, 24 anos, vocalista da banda Rockstrada, acredita que o mais entendido sobre a atual situação do mercado fonográfico já está morto, Dom Pedro I, que bradou há 186 anos: "Independência ou Morte".
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