Qua 11 Mai 2011

Senhor Rock and Roll, aprenda com o RAP

por Diogo Gregório

Sim, meus caros. Esse sou eu escrevendo um daqueles textos que em primeira mão soa estranho publicar em um portal como o Rockwave. Mas antes que me apedrejem, peço que leiam atentamente as próximas linhas.
Há alguns anos, o rock se tornou uma falsificação dele próprio. Dificilmente se enxerga nele um contexto de movimento. As cenas se tornaram tão independentes que hoje cada lugar fala por si, sem a preocupação com o agrupamento de alguns anos atrás. Historicamente observamos um vendaval de unificação de ideias e ideais no senhor n’roll que nos dias de hoje se transformou em um sopro leve e sem graça; Que não nos refresca e somente nos faz ter uma incansável vontade de olhar para trás.
Para ser ainda mais claro, traço uma breve linha histórica do rock nas ultimas décadas.

Anos 50: Em um primeiro momento como uma aceleração do Blues,  surge o Rock em guetos e bailes principalmente nos bairros de população negra. Como não devia ser diferente, a contestação dos princípios surge exatamente nesse momento. Os brancos imitavam os negros na forma de cantar, tocar e dançar e se sujeitavam pela primeira vez desde o Jazz há ir a uma manifestação artística que não tinha sido criada por eles mesmo.

Anos 60: Já bem estabelecido, o rock transcende raça e cor. Ele é colorido (que fique claro, é psicodelia não Restart). Nesse momento a santíssima trindade “sexo, drogas e rock and roll” se estabelece como um grito jovem quebrando preceitos e regras. E era nos artistas, nas roupas e na juvenilização sem limites que o rock and roll se perpetuava;

Anos 70: O Começo da concretização dos movimentos. Os punks não andavam com os hippies, que não falavam com os Mob’s que não iam a festas com os Hard Rockers’s e seus cabelos compridos que, por sinal, odiavam os Progressivos e suas transas existencialistas. Porém se percebia que cada grupo se aprofundava em seus conceitos, mergulhando em ideologias proporcionando uma cena rica e meteórica que fez que o gênero desenvolvesse obras primorosas da indústria fonográfica, mesmo com forte concorrência da era Disco;

Anos 80: Tenebroso momento de modificação. Começava uma revolução tecnológica que faria com que os artistas se assustassem com os adventos modernos (qualquer semelhança com os dias atuais é mera coincidência).

Anos 90: O Grito Grunge abalaria de vez o mundo. Os News punks e suas calças rasgadas resgatariam os ideais que a tecnologia  da década anterior tinha assassinado.

Podemos observar que em todas essas décadas, o Rock esteve inabalável. Sólido e onipresente. Criticamente e mercadologicamente falando. Porém o que temos nos últimos anos enxergado é uma  verdadeira lavada da indústria Pop em cima desse senhor contestador. E o porquê disso eu lhes digo: O Rock se elitizou. Hoje não existem mais os festivais de bairro, as bandas de garagem que poluíam as ruas, foram todas para estúdios moderníssimos do centro da sua cidade. E cada vez mais estão falando para menos gente. O Rap não. O Rap se difunde através dele mesmo. Quantos artistas estão vendendo suas mixtapes em ônibus, metrôs e praças públicas. Quantas sessões de freestyle e festivais estão sendo feitas em praças públicas; Tudo para que o movimento não se cale. Artistas consagrados pela crítica e pela indústria se preocupam em ter em seus trabalhos a “soma” de novos nomes. Tudo em prol da parceria.  E é aí que eu te pergunto: Se sua banda ao invés de alugar aquele pub da sua cidade sozinha, pudesse convocar mais três ou quatro, e trabalhassem juntas na divulgação da cena na local? E se seu guitarrista estivesse aberto a dividir aquele solo com o guitarrista daquela outra banda?
A grande vitória do Underground hoje sobre o mercado fonográfico está no gênero Rap. Categorias especiais em prêmios na TV; Rádios com programas específicos e tudo mais.
Quer prova?
“Nego Drama” do DVD do Racionais Mc´s “ Mil trutas, mil tretas” , sem divulgação, sem vocalista em tv, tem aproximadamente o mesmo número de views no youtube dos coloridinhos do Restart no clipe oficial de “Levo Comigo”.
Senhor Rock Roll nos faça um favor: aprenda logo com o mano loko chamado RAP!
Abraços

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