Seg 22 Nov 2010

O que de melhor aconteceu no cenário Independente em 2010

por Diogo Gregório

Sim meus caros, o ano de 2010 começa a ser enxergado pelo retrovisor. Um ano muito favorável para a produção independente do país.  Grandes discos foram lançados, alguns artistas migraram de vez para a cena independente e o mainstream teve momentos de reverência a cena alternativa. Podemos dizer que de goleada vencemos a indústria. E digo vencemos porque todos nós que alimentamos a engrenagem do rock underground, seja tocando em uma banda, seja acompanhando uma banda, fazemos parte dessa vitória.
E golaço de craque acabou saindo das quatro linhas: Modificações interessantes na lei de incentivo a arte foram realizadas.  E a vida de quem pretende viver de produção artística parece começar a ficar mais fácil.  Nenhuma mudança gritante. Há não ser pela inclusão da música gospel, recebida com bastante divergência dentro classe.  Alguns acreditam que esse tipo de música tem que ser mantida pelas pessoas da religião e que aberturas desse tipo, só seriam justificadas, se acontecessem para todas as religiões não privilegiando a ou b. Discussões a parte, perspectivemos o lado positivo dessa concessão: Os olhos de nossos governantes estão abertos para quem vive de música! E isso deve ser comemorado.  Quem sabe estejamos rumando para o momento em que ser artista seja uma profissão digna. Que um moleque de 15 e 16 anos possa trampar com arte e chegar na casa do pai da garota e dizer “sou artista” sem medo. E que o pai da mesma entenda que eles podem ter um futuro bom, com dificuldades e alegrias encontradas em qualquer profissão. Torçamos...
Outra coisa legal, deste corrido ano de 2010, é que o mainstream se curva de vez a cena. Na tv, em canais como MTV e Multishow, artistas já conseguem atingir o mesmo tom dos patinhos da indústria. Tudo bem que nada se compara aos fenômenos coloridos. Mas termos um LAB BR, termos aparições de bandas tocando ao vivo na tarde da MTV, premiações exclusivas no prêmio Multishow e no VMB comprovam que eles se renderam aos independentes.
E todos esses resultados são fruto das excelentes bandas que surgem e se multiplicam nesse país a cada novo ano, e no próximo texto citarei, na minha humilde, porém criteriosa opinião, os melhores álbuns e artistas que vivem e transpiram o underground.


Confesso que esse texto rendeu um bom suor do “coluna” que vos escreve. E isso se deve a árdua missão de citar os melhores trabalhos deste ano. Um ano espetacular e de tirar o fôlego: Foram muitos EP’s, promo´s, discos... Novos artistas surgindo, a geração do meio se consagrando, e a mais velha dando tchau a cena independente ou como outros casos dando tchau a música. Depois de bater e bater teclas, eu resolvi falar sobre cinco novas bandas e cinco álbuns (o que também vale para ep´s e promo´s etc) que sem sombra de dúvidas ajudaram a formar a máxima de que em 2010 o mainstream deixou de ser interessante. Pra quem não conhece os artistas e álbuns, fica a dica. Procurem, baixem, compartilhem. A nossa participação e atuação é que constrói a nova cena e a torna cada vez mais sólida.


5ºLugar – A Banda de Joseph Tourton - A Banda de Joseph Tourton (2010)
Pegue um liquidificador e faça uma boa mistura de bons acordes e riffs monstruosos, bata bem e experimente todas as possibilidades da música instrumental. É isso que esses meninos de recife proporcionam nesse incrível projeto. Mostrando que música instrumental não precisa ser virtuose, nem megalomaníaca. Eles não perdem tempo com isso fazendo rock de mão cheia.


4ºLugar – Fino Coletivo – Álbum: Copacabana (2010)
Catalogar? Pra quê? Música boa transcende rótulos e isso não é novidade pra ninguém. E o Fino Coletivo é isso. Músicos maravilhosos que consegue fazer seus versos certeiros transitar por diversos mundos rítmicos. Se isso ainda não lhe convence de ouvir o som dos caras, experimente a audácia de se visitar a clássica “Swing de Campo Grande” dos primeiros underground´s brasileiros o “Novos Baianos” e dar a ela uma cara de música nunca ouvida. Isso é Fino Coletivo e se eu fosse você não pensava duas vezes em ouvir...


3º Lugar – Móveis Coloniais de Acaju – Álbum: C_mple_e
Quando eu vi esses caras pela primeira vez pensei: só vou fazer definições depois de ouvir um álbum. E foi só ouvir esse trabalho maravilhoso que nunca mais consegui parar de ouvir. Uma festa, uma linda e bela festa. Provando que música brasileira pode ser popular sem ser brega, sem ser bunda. Indispensável pro seu dia ruim ficar melhor, e pro seu dia bom se tornar excelente.


2ºLugar – Nevilton- EP:  Pressuposto
05 Faixas. 05 Faixas são suficientes pra provar pro mundo o talento desse maravilhoso trio paranaense.  Alguns artistas nascem prontos. E o Nevilton realmente parece que é uma daquelas bandas que fica difícil dizer o que nos leva a ouvir as faixas dele repetidamente em nosso player e não nos cansarmos. Letras boas, rock direto, sem fru fru. Assim como ele sempre deveria ter sido. Tente ouvir “O Morno” sem imaginar um conhecido ou grande amigo seu que “Queria muito viver bem a vida, Mas esquecia apenas de viver, Passava o dia olhando pra parede, E nunca via nada acontecer”
O que dizer? Agradecer o Nevilton por mesmo estando eu neste momento, de frente pra parede, tendo o som deles no meu headphone é impossível não ver nada acontecer...


1º Lugar -  Apanhador Só – Álbum: Apanhador Só
Na maioria dos artistas, o primeiro álbum é um grande apanhado de diversos momentos da banda e de até de seus integrantes em outros projetos. Na complexa missão de buscar e atrair interesse no mercado. Mas se esses portalegrenses trilharam esse caminho, conseguiram enganar muito bem. Pois o disco tem forma e tem conteúdo. E tem consistência meus caros. Não um apanhado de hit´s (sem trocadilhos infames okay?). Mas um bom disco, que poderia estar tranquilamente no meio de minhas coleções de vinis. Sabe por quê? Porque como o que se era produzido até os anos 90, toda vez que toca a faixa 01 (a cheia de riff´s eletrizantes “Um Rei e o Zé) só da vontade de desligar a vitrolinha na última a angustiante e agonizante (sim e isso é algo positivo) “E se não der” que nos faz sofrer com a dúvida. Mas a dúvida sempre é sofrida não é? De certo mesmo só a competência desses caras que fizeram e ainda vão fazer a grande mídia se curvar diante do cenário independente.


 


Taí a lista. E como toda lista vai haver gente que vai discordar, outros que vão gostar. Só vale ressaltar que os únicos critérios foram projetos lançados em 2010, e o meu senso. Outros grandes nomes poderiam estar aí: Macaco Bong, Dom Capaz, Rockstrada, Validuaté, Mombojó, Nina Becker, Fofoca Erudita, etc, etc... Mas o que eu espero mesmo é que em 2011 eu tenha ainda mais dificuldade de fazer essa lista aqui pro Rockwave. E que quem sabe, a sua banda que taí ralando nas garagens do bairro, nos palcos sem retorno pro baixista, possa estar aqui no ano que vem. Só depende de você. Vai lá e faça seu trabalho e faça com vontade. Porque somos independentes: independente de circunstâncias, independentes de possíveis retornos e expectativas, independentes e livres. Pois arte se resume em liberdade.


Abraços e estamos no @odiogogregorio


 


 Simbora lá trocar uma idéia e bons acordes.

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