Seg 25 Jul 2011

O outro lado da morte de Amy Winehouse

por Diogo Gregório

Amy se foi. Um dos meus primeiros textos aqui foi “O outro lado de Amy Winehouse”.  O ano era 2009 e todos os escândalos que rodearam a diva dona da melhor voz de nossa década já eram fatos rotineiros. Lembro-me que nessa época tinha acabado de comprar Back to Black. Dois meses depois comprei Frank, a bibliografia dela e pronto:  era eu um fanático. Sem sombra de dúvidas, Amy foi a artista mais importante que o mundo viu desde Kurt Cobain, e digo isso não frente a esta morte triste. Digo devido a tudo que ela proporcionou com suas letras pesadas e cheias de vicissitude nua e crua. O resgate de um universo musical nascido nas periferias negras das décadas de 30 e 40 e que acabou se perdendo em meio a industrialização e a modernização da música nos anos 60.
Dos discos de Amy, que pela atrocidade do destino foram apenas dois, saltavam em nossos olhos o ar do sofisticado e penumbre jazz. E explico: Penumbre pois se você fizer uma rápida pesquisa sobre os artistas do gênero, verá que todos eles tiveram uma vida conturbada, repleta de vícios e de amores mal vividos. E Amy teve tudo isso. E é aí que reside a questão que fica em meio a toda essa dor da perda.
A morte de Amy foi narrada dia a dia nos últimos anos, por todos os tabloides sensacionalistas. Por todos os críticos desinformados. E Amy estava lá. Sendo heroica. Agonizando ao vivo, enfrentando as Câmeras do Paparazzi. Não como a tal Lady Gaga que tanto glorificam que se esconde em meio as máscaras e a roupas esdruxulas. Amy enfrentava a todos e dizia: Sim, eu me suicido, o que vocês têm a ver com isso?
Mas a máquina midiática não se satisfaz com derrotas. E fazia questão de agulhar ainda mais as feridas  de Amy. Navalhando inclusive seus familiares, divulgando vídeos e notícias falsas.
Os últimos shows, claro: Foram um desastre; Mas aonde estava os executivos da gravadora de alta escalão de Amy, para tentar impedir de que uma artista genial se empreitasse por turnês em um estado lastimável? Provavelmente contando notas em algum Iate e fumando Charutos rodeados por garotas, que é o que os executivos sabem fazer de melhor.
A questão é? Qual foi o seu papel nesse espetáculo cruel que foi a morte de Amy?  O quanto você consumiu das facadas que a mídia impôs?
Fala-se tanto do Clube dos 27 na mídia, que eu me pergunto como seria a cobertura da morte dos outros gênios que se foram coincidentemente nessa idade com uma mídia tão intensa o tempo todo.

Então hoje vou realmente ficar de luto. Ouvir o Live in London exaustivamente. Um disco não autorizado genial que mostra Amy ao lado de sua super banda fazendo um show histórico. Uma das melhores performances que já pude ouvir. 

E que para sempre eu continue a não concordar com os canalhas de terno e charuto.

Que querem destruir a riqueza mais profunda de todos, que é ser o que é e ser ao vivo.

E se ao acaso eles quiserem te mandar para a reabilitação, lembre-se diga a eles
No, no, no.

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