Sab 25 Fev 2012

A aposentadoria dos palcos, de quem nasceu para eles

por Diogo Gregório

A Rita Lee foi presa. Disso todo mundo sabe.  Mas dar a importância para o ultimo show da história da maior artista feminina que o Rock brasileiro criou, ninguém deu. Na verdade, não foi o Rock nacional que criou a Rita. A Rita que o criou. Os Mutantes  na década de 60 romperam com os horizontes e fronteiras que a MPB poderia trilhar. Nada da boemia careta da turma da Jovem Guarda. Nada da genialidade disforme do povo da Tropicália. Eles iam além. E ali, o “algo mais” era a jovem Rita Lee Jones. Claro, tiremos eternamente os nossos chapéus para Sergio e Arnaldo, mas  Rita foi a personificação daquelas ideias. Sem ela bem provável que toda aquela genialidade tivesse ficado fora de foco, como os outros grupos contemporâneos.  Já estava ali, nos idos anos de 1967, data do primeiro álbum dos mutantes,  explícitos a excentricidade musical e a quebra de conceitos que iriam durar por todos os bem passados 45 anos de carreira de nossa maior Diva.
A separação dos Mutantes tem diversas fontes. Uns dizem que foi devido a dedos gananciosos de empresários, outros dizem que foi devido aos dedos não mais habilidosos do seu agora Ex marido Arnaldo.  Pouco importa. O que de certo é importante, é  que naquele momento, surgiria deste cenário enevoado que fora o rompimento com a mais importante banda de uma geração,  uma letrista voraz, uma compositora sagaz. Donas de hit que ultrapassariam décadas e que, sem sombra de dúvidas, iriam se tornar absolutos no repertório dos maiores deste Brasil Vanoril.
E assim se foi. Um belíssimo dueto com o marido e também excelente Roberto Carvalho, que nos brindou e que ainda irá nos brindar com  canções geniais. Pois é minha gente. Como ela mesmo disse, me aposento dos shows, mas da música JAMAIS.

Difícil não é você largar a música Rita.
É ela querer largar de você.

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