Qui 08 Jul 2010

20 anos sem o grito genial de Cazuza

por Diogo Gregório

Há exatos 20 anos, o rock nacional perdia o seu grito mais contundente. O grito que dilacerava o próprio rock e o fazia sucumbir, debaixo de letras que transpiravam poesia e uma forma de amor e de amar única.
Cazuza era a contradição; Era o exagero. Não sabia viver nada pela metade. Nasceu Agenor em uma singela e merecida homenagem a Cartola, outro gênio que rompeu e corrompeu a todos que achavam que música, estaria relacionada a tempo e formas. Para Cazuza não existiam formas. Ele era o que queria ser. E fazia de sua voz a navalha perfeita para agredir o alvo de suas rimas. E qual alvo era este? O alvo éramos nós. Todos nós. Pessoas que nos submetemos a condições e condicionamentos. Pessoas que cumprem regras e fazem de suas vidas uma eterna espera pelo dia da morte. Cazuza enfrentou a morte. Ele a desafiava constantemente. Seja em suas noites de boemia que duravam semanas. Seja em seu uso sem fronteiras de álcool e drogas, seja através do sexo livre, feito sem curvas e condições, homens e mulheres, apenas para saciar a sede que ele tinha de viver feliz.
Para nós todos, cegos e ansiosos pelo comum, a vida dever ser longa e comedida. Não podemos nos permitir a felicidade de sermos breve.  Felicidade que nos dias de hoje é uma palavra rara, e falar assim como estou dizendo é quase um crime. Uma criança deve tomar o sorvete com todo o cuidado, receosa para não sujar o rosto e suas mãos. Afinal: o que os outros irão pensar? Vão dizer que você não foi bem educada. Não aprendeu os bons modos, que não mais são do que um belo manual prático de ser igual aos outros. Cazuza se lambuzava do sorvete da vida. E mostrava a todos que não há nada de mal em ser assim: Único, diferente, transgressor. Todos nós, mesmo aqueles que se submetem a sonharem igual, a viver igual, mais dia, menos dia iremos nos deparar com a senhora morte e ela estará viva, muito viva.
O que resta: Uma obra perfeita, composta por letras riquíssimas e arranjos em sua grande maioria desenhada pelo mestre Roberto Frejat e com grande incentivo e produção genial do mestre que no dia de ontem (07/07), exatos 20 anos, também nos deixou: Ezequiel Neves.
Então crianças, ontem, amanhã, hoje e sempre: Sigam o que de mais importante nos mostrou o poeta:
Lambuzem-se!

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